EncaustiZINE: My Atelie. Por Ana Carmen Nogueira

Meu nome é Ana Carmen Nogueira, sou formada em Artes Plásticas com especialização em Educação Especial e Arteterapeuta, sou mestre em Educação, Arte e História da Cultura. Trabalhei durante 5 anos desenvolvendo um ateliê de artes para pessoas com deficiência visual dentro de uma ONG, Projeto Acesso Centro Brasileiro de Apoio Pedagógico Especializado ao Deficiente Visual, na cidade de São Paulo, SP. Foi esse contato com pessoas com deficiência visual que me fez buscar novas formas de compreender a arte.


Comecei a pesquisar encáustica por causa de meus alunos com deficiência visual. Queria encontrar alguma maneira que pudéssemos explorar o mundo das artes pelas mãos que fosse agradável ao tato. Procurava algo que juntasse audição, visão olfato, tato e paladar. Nesse caso, queria algo que videntes e não videntes pudessem usufruir com os sentidos que tinham e, dessa forma, obter uma experiência estética que não necessariamente vinha da visão ou da audição.


Em um dos projetos que desenvolvi junto com meus alunos, trabalhei com lápis de cera derretido e percebi que seu resultado era muito interessante para videntes e não videntes. Desde então venho pesquisando a pintura encáustica. Trabalhar com a cera é uma paixão: quanto mais se descobre mais quer saber.


A pintura encáustica encanta a visão, chama o tato e provoca o olfato. Não possuímos controle total do material, aprendemos a trabalhar com ele. A cera é sempre a coautora de nossa obra, uma vez que possui a sua própria intenção e é preciso respeitá-la e perceber para onde ela quer caminhar. Com o tempo, vamos aprendendo a expressar nossa criatividade seguindo as orientações que ela nos dá.


Atualmente em meu ateliê atendo pessoas que querem aprender sobre essa técnica, mas também pessoas que buscam desenvolvimento pessoal.


A encáustica tem a característica de ser um material altamente relaxante e capaz de proporcionar experiência única, elevando a mente a um estado de suspensão onde o tempo não é sentido. Torna o espírito leve, nos abstraindo dos pesos do nosso dia-a-dia. É também ferramenta maravilhosa para o estudo de si mesmo.


Sem dúvidas um grande facilitador do autoconhecimento. Quando há liberdade, permitindo fluir com o movimento, experimenta-se algo mágico: o aprendizado sobre si mesmo, algo novo ou que estava adormecido. Para isso basta ir observando as imagens que aparecem e o diálogo que surge entre você e a sua criação. Aqui no meu país, Brasil, a encáustica é pouco conhecida. Não existe nenhuma literatura sobre essa técnica e não é possível encontrar nenhum suprimento nas lojas especializadas em arte. Por isso, quando comecei a me interessar pela técnica assisti muito vídeo no Youtube, comprei alguns livros pela internet, fui aprendendo pelo que lia, procurava materiais que fossem semelhantes e fui desenvolvendo a minha receita de encáustica. Foram muitos erros e acertos, mas hoje tenho certeza de que conhecer, entender e fazer todos os processos da encáustica é o que me encanta na técnica. Na minha receita de encáustica uso cera de abelha pura, a ela acrescento a cera de carnaúba e a resina breu. Resolvi substituir a resina Damar pela cera de carnaúba e pela resina breu, pois a resina Damar é importada e fica muito cara para trabalhar. Tanto a cera de carnaúba como a resina breu possuem ponto de fusão bem mais alto de 80° a 90° C bem superior ao da cera de abelha que é 65°C. Além disso, a cera de carnaúba vem da palmeira Carnaúba, uma planta típica do nordeste do país. Conhecida como a árvore da vida, pois dela se aproveita tudo. A resina breu é retirada das árvores coníferas encontradas no sul e sudeste do país. Tudo mais adequado ao nosso clima e mais autossustentável.

Foto 1 / Nogueira_Minha vizinhança Uma tempestade se aproxima do meu bairro, visto da janela do meu estúdio em São Paulo, Brasil.

Foto 2 / Nogueira_ Produzindo Meus Próprios Materiais  Como não é possível encontrar tintas de encáustica no Brasil, eu produzo desde o suporte para a pintura encáustica como médium encáustica para uso próprio e para vender para outros artistas em todo o Brasil.

Foto 3 / Nogueira _Inspirações Minhas gatas, Hannah e Filomena, estão sempre comigo no estúdio – julgando os méritos da arte sendo produzida!

Foto 4 / Nogueira_Aulas em processo Aulas progresso: algumas das minhas alunas trabalhando no estúdio.

Foto 5 / Nogueira_Materials Usado Amostra de alguns dos materiais de encáustica usados ​​no meu estúdio.

Foto 6 / Nogueira_Trabalho em andamento Sentido anti-horário do canto superior esquerdo: os estágios de uma das minhas pinturas encáusticas que tinha como base uma foto que tirei no  Instituto Inhotim.


Foto 7 / Nogueira_Trabalhos finalizados Algumas das minhas obras concluídas.

Clique no link e confira o artigo na íntegra. São as páginas 14 e 15.

Ana Carmen Nogueira, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica, ministra cursos desta técnica e atua como Arteterapeuta no Ana Carmen Ateliê de Arte.


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