A pintura encáustica e as crianças

Atualizado: 24 de ago.

Alberto Manguel conta em seu livro “Lendo Imagens” como foi seu primeiro contato com uma obra de arte. Ele diz que, quando tinha 10 ou 11 anos uma tia que era pintora, apresentou um livro com pinturas que ficaram na sua lembrança e anos depois descobriu serem de Van Gogh.


Quando li o seu relato, fiquei tentando me lembrar quando tinha acontecido a minha primeira aproximação com a arte.


Essa lembrança foi me levando muito lá para trás, quando ainda muito menina ia à casa de minha tia Ruth que era casada com Gustavo Kraus, austríaco radicado no Brasil. Tio Gustavo trabalhava com ilustração, tinha um pequeno estúdio na varanda do seu apartamento do prédio da rua Tagipuru. Tenho um retrato desenhado por ele quando eu tinha 10 anos.


Seus pais vieram da Áustria para morar perto do filho, mas falavam muito pouco português. Os pais eram ceramistas, eles tinham um estúdio de cerâmica em algum lugar perto ou mesmo na rua Tagipuru em Perdizes. Me lembro de entrar lá e ficar encantada com as argilas, as peças de cerâmica e aquela bagunça criativa. Era um lugar super mágico.


Dia 10 de novembro, foi a abertura de exposição Coletiva de Novos Talentos – CNT 2018, na CasaGaleria Oficina de Artes Loly Dermencian com trabalho de 24 artistas. Coloquei em exposição quatro quadros feitos com pintura encáustica que compõem uma série que narro minha experiência com a árvore Paratudo no cerrado da Chapada dos Guimarães no Mato Grosso.


Essas experiências de transformar aquilo que vivenciei em arte com cera, é uma tentativa de aproximar o outro para o meu mundo, ou minha visão de mundo. Convidei amigos e familiares e eles me presentearam com as suas presenças e carinho.


Henrique (5 anos) foi, ele é neto de minha amiga Ângela. Ele foi para exposição junto com a avó e a tia-avó. No carro, conta Laura, ele já estava a mil e dizia – “ é minha primeira vez”. “ É sua primeira vez do que Henrique” “Minha primeira vez em uma exposição!”


Ao entrar na exposição seus olhos brilhavam, e ele caminhava observando os quadros e fazendo suas escolhas. A cada descoberta um sorriso e corria para as avós para compartilhar o que havia descoberto.


Laura (8 anos) foi com sua avó Flávia. Caminhou por todo o espaço expositivo e depois de um tempo começou a fazer uma coleta de imagens no celular da avó criando uma narrativa das obras que mais chamaram a sua atenção.

Henrique selecionou o Paratudo 2 como sua obra favorita pois ela parecia que havia sido cortada da maior. Laura escolheu o Paratudo 4 pois era mais tátil e parecia que tocava nas flores.


A pintura encáustica tem a força da aproximação, por ser densa e cremosa, parece que mergulhamos nela. Ela pede o toque e oferece sensações de textura e maciez. Por ser uma pintura com elementos naturais – cera de abelha, seiva de árvores e pigmentos – parece que ela nos abraça para nos sussurrar pequenos segredos. Para as crianças esses segredos geraram uma conversa franca, direta e prazerosa.


Espero que esse primeiro contato com a arte, e com a arte da encáustica tenha sido fecundo e que fique como uma de suas lembranças preciosas.

Descubra a beleza da pintura encáustica. Venha nos visitar.


Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes

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