Tempo. Livro de Artista

 

Quinta-feira, dia 07 de novembro de 2019. A Profa. Dra Mirian Celeste Martins na disciplina de Arte e Mediação do Programa de pós-graduação Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, nos levou a vivenciar e potencializar experiências estéticas por meio de diferentes acessos e estratégias que a mediação cultural oferece. Nesse dia fomos à Sala São Paulo, encontrar com Leandro Oliveira, escritor e professor de música, arte e história da cultura. Regente, compositor e pianista por formação, mestrado em Musicologia, pós-graduação em Teoria da Comunicação, e Doutor em “Educação, Arte e História da Cultura” pela Universidade Mackenzie.

Nosso colega de programa de pós-graduação, foi nosso anfitrião e palestrante do concerto da temporada oficial da Orquestra Sinfônica do estado de São Paulo Des Canyons aux Étoiles [Dos Cânions às Estrelas] [1971-74] de OLIVIER MESSIAEN [1908-92].

Foi ele que nos preparou para depois assistirmos ao concerto com os sentidos mais abertos para o que viria ser apresentado.

Em 16 de janeiro de 2022, depois de trabalhar durante alguns dias nesse pequeno projeto, terminei meu livro de artista. Livro Tempo foi feito tendo como base o livreto da temporada 2019 da OSESP, Futuros do Passado que apresenta o programa dos dias 07, 08 e 09 de novembro do concerto de Messiaen.

Por que estou mostrando tudo isso?

Porque é assim que entendo esse meu pequeno Livro de Artista Tempo. Comecei pensando em fazer experiências com a caneta aquecida com a ponta de pincel de cobre com a pintura encáustica sobre papel. Peguei o livreto dentro de uma gaveta que contém vários programas e folhetos de exposições, concertos e teatro. O papel do folheto é um sulfite simples, mas ao pegar nele, já me remeteu para aquele encontro de novembro de 2019. Aquele livreto carregava muitas lembranças.

Na capa vemos um detalhe da obra Ébano, litogravura de Renina Katz (1925) de 1999 em preto e branco. Foi por aí que comecei minhas explorações. Desmontei o livreto e trabalhei com as páginas duplas de fora para dentro. Passei encáustica cobalto nas primeiras duplas e encáustica terra de Siena na dupla seguinte. Fui alternando as cores até chegar nas últimas páginas centrais.

A partir daí, iniciei minhas intervenções com a canetinha aquecida com a ponta de pincel. Na capa e na contracapa mantive um diálogo com Renina, oferecendo alguns cobaltos e Sienas. Nas páginas internas fui para o vento, a chuva e mar. Depois fui experimentando, deslizando o pincel e entrei na Grande Onda (1820) de Katsushika Hokusai (1760-1849). Sai de lá fui para retângulos e depois cai na fluidez. Escutei Messian, Des Canyons aux Étoiles, e me lembrei de minha viagem à Utah, paisagens essas que também mexeram com o compositor ao pensar nesse concerto. Trabalhei tentando soltar o pincel, depois usei máscaras de papel como estêncil e misturei técnicas.

Todo esse movimento, esse contato com o livreto que estava guardado, esquecido no fundo de uma gaveta cheia de papéis, me levou de volta à 2019, aos encontros afetivos das aulas de mediação cultural. Trabalhos de arte que tem como base algo como um folheto, um catálogo, trazem de volta pessoas que gosto, mesmo que seja apenas no pensamento. Me fez lembrar, reviver, sentir novamente, coisas que estavam esquecidas. Momentos passados voltam a estar presente. Sentimentos vividos, refletidos foram recolocados dentro de mim. Me recolocou no lugar, me posicionou. Para mim, parece que abri a janela e o sol entrou.

É isso que a arte faz. Conversa com a gente.

Veja o livro de artista Tempo – https://heyzine.com/flip-book/c2576874ed.html

 

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